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 | "Prédio Verde", garantia de sustentabilidade no mercado imobiliário |
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 | Hoje, na coluna Fiabci Brasil Informa em "O Estado de S. Paulo" (página B 4, Caderno de Economia), Michael Bamberg, diretor da Fiabci/Brasil, mostra em comentário que os prédios verdes (green buildings) são garantia de sustentabilidade no mercado imobiliário, em qualquer parte do mundo. Abaixo, você acompanha a íntegra desta coluna.
Em fevereiro, fui convidado pela IHK Industrie - und Handelskammer para palestrar em Munique. O tema era "eficiência energética nos prédios construídos no Brasil - os green buildings", edificações voltadas para a preservação do meio ambiente, conservação de energia, economia de água, presença garantida do verde etc. O seminário foi organizado e financiado pelo Ministério do Meio Ambiente da Alemanha. Lá, descobri que o Brasil, em especial, São Paulo e Rio, já avançou bastante nesse campo, mas ainda está distante dos Estados Unidos e da Europa. Muita coisa está por ser feita por aqui.
Poucos sabem que a construção civil é considerada mundialmente um dos maiores responsáveis pela emissão de poluentes. Estudos mostram que os imóveis poluem com 40% de CO2; o lixo com 30% e o esgoto com 20%. Nos gastos do setor com recursos naturais, 40% são de energia, 30% de matéria-prima e 20% de água. Há que reduzir custos.
Hoje, já existe o Leed, que certifica a edificação como prédio verde (green building), nos EUA, e é buscado mundialmente pelas empresas (platinum, gold, silver etc.). O peso de cada critério é: boa localidade ambiental, 20%; eficácia no uso da água, 7%; eficácia no uso de energia, 25%; utilização de materiais alternativos, 19%; qualidade construtiva interna do imóvel, 22%; qualidade e inovação do projeto, 7%. Nos EUA, desde o ano 2000, foram certificados 1.400 projetos. A China também já começa a se preocupar, pois seu volume de novas construções é metade do de todos os imóveis atualmente construídos no mundo.
Os green buildings criaram novo padrão de construção. Acredita-se que, com o tempo, os governos também o exigirão. São várias as razões que levam o mercado a torná-lo tendência mundial. Os custos de energia explodem. Após oito anos de uso, os custos de manutenção e administração ultrapassam o da construção de todo o prédio.
Assim surgiu a Eco Arquitetura, técnica de alta performance que diminui o consumo de energia em escritórios, fábricas e moradias Até a performance de quem trabalha nesse tipo de imóvel também apresentou melhora e trouxe maior conscientização sobre as necessidades de economia. Os empresários estão usando cada vez mais materiais vindos de fontes regenerativas e que pouco afetam o meio ambiente. Além disso, esses imóveis são os que mais se valorizam, tornando-se fáceis de venda e locação.
Em São Paulo, já há dois green buildings de expressão: o Eldorado Tower, da Gafisa, entregue em 2007, integrado ao Shopping Eldorado, já com certificado Leed. Durante a execução da obra, nenhum funcionário ou visitante podia fumar em todo o seu perímetro. Dotado de área para estacionamento de bicicletas, com vestiário e ducha, o empreendimento estimulou o uso desse meio de transporte entre os trabalhadores.
O outro, a ser entregue entre 2008 e 2010, é o Edifício Rochaverá, ao lado do Shopping Market Place, complexo com quatro edifícios da Tischmann Speyer, que construiu o Rockefeller Center, em Manhattan, NY. O Rochaverá deve receber o certificado Leed após a entrega final, quando será comprovado o cumprimento de todos os requisitos.
Também já existem empresas especializadas em retrofit verde: edifícios antigos são hoje restaurados com maior eficiência energética, utilizando medidas de economia adotadas nos green buildings. Com investimento algo entre 5% e 10% a mais do que numa construção normal, é possível criar bons efeitos, como isolamento da temperatura interna e nas fachadas, reutilização de água etc. Bom exemplo é o atual aeroporto de Frankfurt, que passou por atualização arquitetônica e hoje tem sistema de ventilação totalmente inovador.
Todos ganham com os green buildings: o usuário, com a melhora de sua qualidade de vida, em razão das economias que pode fazer e de uma vida integrada ao meio ambiente; e o investidor, que vê seu produto valorizar-se muito mais, agregando valor à marca de sua empresa. Hora de abraçar essa nova filosofia. Ela chegou para ficar.
(*) Michael Bamberg é diretor da Fiabci/Brasil e presidente da "Bamberg Planejamento e Empreendimentos Imobiliários".
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 | Palestra Dr. Bamberg na Câmara Brasil Alemanha |
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